Agroecologia uma alternativa em debate

Estabelecer a base ecológica para uma agricultura sustentável foi o objetivo do I Encontro Ibérico de Investigação Agroecológica, a decorrer de 22 a 23 de novembro, no Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora (UÉ).

Estima-se que cerca de 50% da superfície terrestre foi transformada pela ação direta do homem para fins agrícolas com consequências ecológicas e sociais significativamente negativas. A agroecologia surge assim para aprofundar a investigação em ecologia e sistemas agrícolas terrestres, propondo medidas de ação no âmbito da gestão, da conservação da natureza e da paisagem.

Caminhar para uma abordagem assente nas “ligações duradouras e produtivas entre a ciência e a prática”, envolvendo os agricultores, silvicultores, investigadores e consultores foi uma ideia deixada por Teresa Pinto Correia, investigadora e diretora do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), sustentada pelo atual quadro de financiamento da União Europeia que aconselha este tipo de colaborações. Como exemplo, aponta a iniciativa  “Tertúlias do Montado”, promovida pelo ICAAM que reúne, desde 2016, os múltiplos atores com participação no sistema silvipastoril Montado, estabelecendo um diálogo regular e estruturado entre os vários intervenientes ligados ao estudo, gestão e utilização do Montado.

Para José Rey Benayas, investigador da Universidade espanhola de Alcalá, “a partilha de terras ou a criação de animais selvagens poderá incorporar essas ações, restaurando ou criando elementos alvo que beneficiem a vida selvagem”. A introdução e a invasão de espécies não-nativas foi outro dos assuntos em debate por afetar a biodiversidade, uma vez que, as "ervas daninhas, pragas e invasoras podem afetar os serviços fornecidos por sistemas produtivos, como as terras agrícolas ou florestas” sublinha Montserrat Vilà, investigadora do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) e Estación Biológica de Dõnana (Sevilha), expondo alguns padrões gerais sobre a distribuição, diversidade, e impactos das invasoras e sintetizando ainda como as alterações climáticas podem influenciar estas espécies nos sistemas agrícolas.

Os Agroecossistemas como cenários para a conservação da biodiversidade, a ligação entre a biodiversidade e as funções e serviços do ecossistema, os impactos das práticas agrícolas na biodiversidade, bem como a ligação entre serviços ecossistémicos agrícolas e benefícios sociais e económicos foram outros dos temas tratados neste encontro organizado pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos e pelo Instituto de Ciências Agrárias e Mediterrânicas da Universidade de Évora.

Publicado em 23.11.2018
Fonte: GabCom | UÉ